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15.6.13

Grupo de ciclistas decide ver a orla sobre duas rodas

Os quatro amigos com idades entre 17 e 19 anos pretendem conhecer as riquezas naturais e as belas paisagens compreendidas na orla entre o Cassino e o Chuí.

Reportagem publicada no jornal Diário Popular, de Rio Grande, em 05 de Fevereiro. Fotos minhas. Matéria original, aqui.

8.6.13

Domingo, meio-dia

A ideia para o texto desta semana surgiu enquanto caminhava sozinho, num domingo ao meio-dia. E trata, justamente, sobre o ato de caminhar sozinho, em domingos, ao meio-dia. Suponho que já tenha caminhado domingos o bastante para afirmar: tenho um novo hobbie. Aliás,

"Se as portas da percepção estivessem limpas, tudo apareceria para o homem tal como é: infinito."
- J. Morrison, via A. Huxley, via William Blake


19.12.12

Aventura na Ferrovia do Trigo


No feriadão do dia das crianças, eu e mais dois caras fizemos uma volta pela Ferrovia do Trigo. Saímos de Lajeado, e retornamos a Lajeado. Sendo bem curto, pois estou com sono e deveria estar estudando, foi muito bom. Foi fisicamente exigente, mas agora entendemos melhor o que é cicloturismo. Agora sabemos como as bicicletas ficam pesadas, como 75% do caminho são subidas, como devemos economizar água e pensar nos detalhes de abrigo. E adorei acampar sem barraca, e me senti super seguro. Na minha mente, eu divido a viagem em 5 partes: Lajeado-Vespasiano (60km, asfalto, manhã), Vespasiano-Acampamento (20km, terra, tarde), o acampamento em si, Acampamento-V13 (10km, trilhos, manhã) e V13-Lajeado (50km, terra e asfalto, tarde). E vamos aos destaques de cada parte.

2.10.12

Velhinhos Aventureiros


Não que eu os ache velhos, mas este é o título do blog deles: velhinhosaventureiros.blogspot.com. Entre outras aventuras, desceram o rio Camaquã com a canoa feita em casa e percorreram a praia do Cassino de bicicleta, acampando na praia. Mais uma vez, provas vivas de que a falta de equipamento caríssimo e especial não deve impedir ninguém de se aventurar por aí!

e.

11.9.12

Qualé, Tolkien?

Odeio desistir a leitura de um livro pelo caminho, mas hoje desisti do Silmarilion depois de ler uns 20% da obra. Se quiser aprender sobre a formação de um continente, que seja o de São Pedro.

E curti pra caramba O Hobbit.

e.

5.7.10

Ecuador Final

Emílio panaca! Esqueci este post mofando no meio dos rascunhos já faz um tempão. E reclamando por não ter assunto... Nein, nein. Pois bem, apreciem o último post sobre o Equador!

Algumas curiosidades:

*Quase todos os pratos típicos do Equador levam banana e abacate. De todos os jeitos: crus, cozidos, doces e salgados. As bananas existem de vários tipos e os bolinhos recheados com queijo feitos com ela (bolones de verde) são ótimos. Vêm no café da manhã no lugar do pão.

*Também existe o cultivo de cacau, que na maioria é exportado. A produção do chocolate de qualidade vem das pequenas empresas. O chocolate em pó, para misturar no leite é muito bom, sem açúcar.

*Celulares: como no Brasil a impressão que dá é de que todos tem um celular. O mais engraçado é que eles estão nas mãos dos indígenas nos lugares mais longínquos e nas montanhas mais altas. Tem sinal por praticamente todo o país. As operadoras Porta e Movistar lideram (se é que não são as únicas).

*De um modo geral o país é bastante atrasado e pobre, difícil dizer quanto em relação a nós. A legislação de trânsito não parece existir; a trabalhista somente a partir deste governo é que ganhou mais força. São cobrados os impostos trabalhistas, passaram a ter direitos como férias, décimo terceiro (e décimo quarto) salário, os trabalhadores domésticos se equipararam aos demais, etc...

*Por causa do item anterior ser precário, o trabalho informal é enorme. Sem fiscalização vendem na rua as coisas mais inimagináveis; oferecem serviços engraçados como por exemplo tapar os buracos da estrada por conta própria e pedir uma moeda (pedágio) para tal.

*Ainda sobre o trânsito, as pessoas são transportadas de qualquer jeito, apesar dos avisos de uso de cinto, etc. Tiramos umas fotos que ilustram bem isso. O que mais chamou a atenção foi uma espécie de Van escolar transportando as crianças penduradas pelo lado de fora, porque dentro estava lotado....

*As ultrapassagens acontecem tanto pela esquerda como pela direita, tem de ficar muito atento.

*Parece ser um país de oportunidades, pois muito tem de ser feito. Na área da informática e das engenharias principalmente. Por exemplo e empresa aérea Lan opera em DOS. Tudo demora.

*As escolas tem férias escolares em fevereiro e março. Todos, todos usam uniforme tipo saia xadrez, blusão, camisa, gravata e meias compridas. Os únicos no país que não precisam usar uniforme são os Otavalos devido a sua tradição de usar a roupa do seu povo.

*Tudo que se compra, ganha-se nota fiscal escrita à mão. Até uns óculos de sol de camelô que compramos perguntaram se queríamos nota.

*A polícia é muito gentil, sempre que precisamos de alguma informação segura recorríamos a ela, sem problemas. Apenas uma vez nos pararam, no último dia, pediram documentos, olharam parecendo não estarem entendendo direito o que estava escrito. Liberaram logo. Nas barreiras os policiais ficam parados olhando e nada mais.

*A poluição por monóxido de carbono é muita, dá quase para passar mal no trânsito. Tínhamos de andar com os vidros do carro sempre fechados. Encontramos uns paulistas que nos disseram que se em SP os carros fossem tão mal regulados como aqui, estariam todos mortos!

*A gasolina é muito barata e nos postos apenas abastecem o tanque. Não conferem óleo, água, os banheiros...

*A legislação existe mas nada é cobrado e muito menos cumprido. Têm consciência da mudança necessária principalmente em relação as questões ambientais. Preocupam-se em passar uma boa imagem ao turista, pedem o tempo todo que divulguem seu país (que por sinal é lindíssimo). Somos jóias raras lá. Brasileiros não visitam o Equador, pensam que somos europeus falam inglês direto com a gente. Em alguns lugares (hotéis, restaurantes),nós fomos os primeiros brasileiros visitantes.

*Para viajar ao Equador é necessário colocar na mala roupa para todas as estações. Na cordilheira o frio é intenso 'a noite e ameno a frio de dia. Na costa é muito, muito quente.

*Percebemos que o país está passando por uma profunda transformação. É dificil definir em tão pouco tempo. A população está bem dividida. O atual governo (Rafael Correa, 44 anos) é de
extrema esquerda e muito populista. Alguns sustentam que é discípulo de Chaves(Venezuela). Compramos um livro para entender melhor, mas ainda não lemos.

*As estradas de todo o país estão em obras (talvez para mostrar serviço?), o que dificulta andar. Calculamos que a média de kilômetros por hora não passou dos 40. Se continuar assim, talvez
daqui uns 5 anos serão ótimas estradas; as obras são grandiosas em penhascos, túneis e pontes.

*Apesar de muito diferente, a comida é boa, sendo que os destaques são as frutas, sopas, sucos e sorvetes.

*O uso de cartões de crédito nem sempre é possível. Cartões com chip não funcionam. E alguns estabelecimentos cobram até 20% a mais no seu uso.

*É padrão a cobrança de 12% de IVA ( imposto de valor agregado) e mais 10% como taxa de serviço.

*O povo equatoriano é muito dócil, gentil, alegre e muito, muito disposto em ajudar. Pode-se pedir informações em qualquer lugar, são naturalmente esforçados em explicar. Em momento algun tivemos problemas ou sentimos medo.

E era isso! Qualquer dúvida, apontamento ou comentário q tenham, comentem aí embaixo...

:D

2.5.10

Ecuador 6

Penúltimo post da série "Ecuador".

Desistimos também de ir mais ao sul. Realmente, havíamos superestimado nosso tempo e as belezas e atrações do Equador. Quase todo lugar merece um pernoite, e o trânsito e a qualidade das estradas nem deixam avançar muito mesmo. Bom, descemos a cordilheira em direção à costa do Oceano Pacífico, numa paisagem não menos bonita do que as outras, mas numa viagem simplesmente terrível, devido a um nevoeiro e às péssimas condições da estrada. Logo o frio cortante que curtimos nas últimas duas semanas foi substituído por um calor úmido que lembra o de Vênus e Lajeado, nos seus piores dias de verão. A saudade do frio bateu ligeirinho! O clima mudou, a vegetação mais ainda. São terras planas, super úmidas , onde cultivam muitas bananas, abacates, coco, café, cacau, abacaxi. Direto me lembrei da capa deste filme. Igual!! Ou seja: o verdadeiro clima equatorial que aprendemos no colégio. As cidades, os povoados mudam, parecem muito mais pobres do que os da cordilheira. Em meio dessas plantações a perder de vista, seguimos a Guayaquil, a maior cidade do Equador e o seu centro econômico, com mais de 2.200.000 habitantes. Apenas passamos por ela, mas pudemos perceber que é uma cidade muito moderna e bonita também. Todos nos alertavam para tomar cuidado, pois é muito perigosa. Possui um porto internacional de onde são exportados camarão, petróleo e a maioria dos demais produtos do país. É rodeada por muita água, de rio e oceano. Calor úmido insuportável.


Depois de umas águas, sorvetes e muitas perguntas, saímos em direção à praia. A vegetação no caminho é parecida com a das nossas praias aqui do RS, seca e arenosa. Chegamos à Salinas, uma praia frequentada pela população de Guayaquil. Muitos a comparam com “Miami Beach”, o que achamos um tantinho, uhm..., pretensioso. A praia é bonita e o mar é quente. Completamente urbanizada com prédios de luxo e muitos restaurantes na beira do mar, ferve durante o verão. Mas se resume a isto. Depois de umas três ou quatro quadras vira uma periferia qualquer, com prédios sem reboco, miséria e lixo. No Equador, em geral, há bem mais pobres do que no Brasil. Ficamos um dia descansando no Hotel del Marinero, muito confortável, bonito, ajardinado e limpo tomando chimarrão e uns tragos na beira da piscina. A noite estava a morna à beira mar e ficamos até tarde num restaurante que serviu uma paella de frutos do mar inesquecível. E, no meio da janta, aparecem no restaurante um grupo de mariachis!! Tocaram "Besame Mucho" pra gente...


Na manhã seguinte, seguimos pela costa ao norte, curiosíssimos sobre o litoral Equatoriano. Na parte em que percorremos , a geografia do litoral varia. De praias brancas e mar revoltado até baías, enseadas tranquilas, locais escarpados e, rumando mais ao norte, coqueiros e densa vegatação. Mas uma coisa não mudou o tempo todo: a cor turquesa do marzão. O deserto humano era quebrado eventualmente por povoados, alguns deles muito miseráveis. Existem também algumas poucas praias badaladas, como Montañita, que é famosa por sediar importantes campeonatos de surfe e é bem procurada pelos jovens e o pessoal mais alternativo. Há vilas de pescadores bem ajeitadinhas, como Puerto Cayo, onde, em barrraquinhas cobertas de palha e guarda-sóis coloridos simetricamente alinhados na areia, pode-se comer pratos de mariscos inacreditáveis: ostras gigantescas (umas 10x das nossas, sério), lagostins (tipo um camarão², sacam?), lagostas a menos de 20 reais, sem contar os frutos do mar e peixes completamente diferentes, bons e baratos. Mais uma vez a beleza do Equador só surpreendeu! Não é para menos que o mundo o está descobrindo!


Parávamos a toda hora para observar a natureza, os animais, conversar com pescadores e tomar água de coco. O domingo, enfim foi espetacular. À tardinha, chegamos em Manta, a capital do atum, sem grandes atrativos. Uma cidade portuária, situada a 258 km de Salinas. Ela possui quase 200.000 habitantes e é a mais importante da costa sul, depois de Guayaquil. A sua economia é pesqueira, portuária e turística. Grandes navios de cruzeiros marítmos aportam ali, para a alegria de restaurantes e comércio. Possui bons hotéis e restaurantes. Aliás em todos os lugares existem acomodações. É claro que nos maiores, mais turísticos, existem os de alto nível. Mas, mesmo os simples tem boa infra. Em todos os hotéis em que ficamos sempre tinha garagem, TV a cabo, internet wireless, café da manhã. Apenas em dois não havia Internet e um nem televisão, que também não fez falta alguma. De Manta, praticamente decidimos iniciar o nosso retorno. Mais um corte no roteiro: decidimos cortar Esmeraldas e seus manglares (os mangues mais altos do mundo), meio a contragosto. Na manhã seguinte, ao pegar o jornal, descobrimos que havia sido uma feliz decisão, pois Esmeraldas havia sido sacudida por um terremoto de 4.8 na escala R (no dia seguinte foi a vez de algumas regiões no Peru).

Ainda era 2ª Feira e tínhamos que estar em Quito somente no outro dia, no meio da tarde. Apesar da pouca distância, fizemos este trecho em duas etapas para não arriscarmos chegar na cordilheira depois da três da tarde, pela neblina que se forma, que impede de enxergar as (péssimas) condições das estradas. Dormimos em uma cidade chamada Santo Domingo de los Colorados, particularmente muito feia, ponto de passagem apenas, com população de mais ou menos 200.000 habitantes. Decidimos ficar já que o hotel era bom para descansar. Os 200 km que faltavam até Quito fizemos na manhã de terça-feira bem tranquilamente. Ainda pudemos rever esta cidade tão bonita e curtir um almoço por lá antes de iniciar a nossa maratona de volta (três aviões e um ônibus e quase 30 horas sem dormir). Em SP ficamos sabendo que na ultra rápida conexão feita em Lima, nós embarcamos e as nossas malas não. Voltamos para casa sem elas mas bem felizes por retornar. Até foi melhor, sem precisar carregar bagagem em Sampa, no táxi, no ônibus e no outro táxi e tal. No outro dia as bagagens chegaram na porta de casa, bem tranquilamente. Os caras das empresas aéreas estão super acostumados com esses extravios...

E é isso.

:D

P.S.: Aguardem o outro post...

21.4.10

Vênus - Itaimbezinho - Torres

Deem uma olhada no relato destes conterrâneos...


Para qm tem preguiça de ler, um resumo: são o Célio, o Roque e o Berté, e saíram de Venâncio dia 16 de fevereiro, chegaram no cânion dia 20 e em Torres dia 21, para voltar de ônibus.


Ao todo, 500 km em 40 horas.

:D

15.4.10

Ecuador 5 (finalmente)

Com 14 postagens desde a última "Ecuador", cá estamos mais uma vez. Antes tarde do q nunca. E ninguém reclamou mesmo! Então foda-se (no bom sentido, claro...).

Uhm, onde estávamos? Rumamos ao sul, sempre escoltados pelos muitos vulcões e montanhas com o objetivo de chegar à cidade de Riobamba e mais especificamente ao vulcão Chimborazo (6310 metros). De última hora pegamos uma rota alternativa (God save the Lonely Planet!), que passa dentro do Parque Nacional do Vulcão Chimborazo. Foi uma viagem e tanto. Vistas e mais vistas lindíssimas, animais selvagens, muitas fotos das lhamas, vicunhas e alpacas. Aliás, a cada dia supera-se o anterior nas surpreendentes paisagens. Geralmente estes lugares são quase desertos e pouquíssimas as pessoas que encontramos. O Chimborazo é o vulcão e o ponto mais alto do Equador e não o consideram extinto, apenas adormecido. Na década de 90 uma equipe de técnicos suíços e franceses o avaliaram e descobriram que ele ainda está ligado ao magma aos 7000 metros de profundidade, então mudaram sua classificação. Também mediram a espessura da camada de neve permanente: 96 metros. Na noite anterior a que visitamos o parque, casualmente aconteceu um fenômeno inédito: uma pequena vertente de água que sai da base do gigante se rompeu e num estrondo liberou uma enorme quantidade de água, que correu montanha abaixo como um cachoeira, passando a metros da cabana dos guarda-parques!


Estávamos ansiosos pelo dia seguinte, o esperado downhill no Chimborazo! Chegamos, então a Riobamba, sede do parque e capital da província de Chimborazo; uma cidade bem bonita, com bastante influência colonial inglesa na sua arquitetura. Ela cresceu a partir do início do século XX, com a construção da estrada de ferro que ligava Guayaquil a Quito. Os engenheiros e técnicos acabaram ficando na cidade e ela também virou ponto de parada. As ruas são de uns paralelepípedos de pedras enormes colocados artisticamente em forma de espinha de peixe e nas esquinas formam bonitas formas circulares como um mosaico. É bem interessante, porque é uma cidade ao mesmo tempo moderna e antiga. percebe-se isso no comércio, por exemplo, existem muitas lojas de tecidos, todas grandes e bem movimentadas. O modo tradicional das pessoas se vestirem também denuncia a “época” da cidade, e a deixa ainda mais charmosa. Outro programa legal é ir no supermercado, aprende-se muito do país observando o que produzem e compram... Lá de Riobamba também se enxerga muito bem o Vulcão Tungurahua (aquele que sai fumaça e faz barulho lá de Baños). Bom, em Riobamba a missão era alugar as bikes para o grande dia. Fomos a uma agência bem organizada que é administrada por um pessoal simpático e competente (Probici). As bicicletas lá são ótimas. Usamos Konas, Specializeds e Treks, entre outras. Provamos os capacetes, as luvas, joelheiras e cotoveleiras, fornecidas por eles. Parecíamos uns robôs. Sem contar que teríamos nos entrochar muito, porque a 5000 m de altura o frio e o vento são para valer...


Providenciamos sanduíches, água, suco, chocolates, e pontualmente às 8 da manhã o Galo ( nosso guia) estava lá no Hotel Trem Dourado para pegar-nos. Juntou-se ao grupo, o Marco, um sociólogo Holandês que viaja sozinho pelo Equador. Além das dicas culturais e da aula sobre a cultura local, o nosso guia proporcionou a todos um dia maravilhoso. A descida do Chimborazo por trilhas em terras indígenas, atravessando riachos gelados e cristalinos foi apoteótica. O Fred até esqueceu do mal da altitude que o havia acometido novamente no dia anterior. E nós nem sentimos o frio. Lembramos muito do pessoal que curte trilhas e corridas de aventura: o Ecuador é uma loucura de lindo. No fim do dia, mesmo cansados e imundos, a sensação não podia ser melhor. Q saudades de pedalar!


No dia seguinte, deixamos Riobamba em direção a Cuenca. No meio do caminho a parada obrigatória são as Ruínas de Ingapirca, um sítio arqueológico muito bem conservado da mesma época que Machupichu. É o único em forma elíptica encontrado no império Inca. Servia para adoração e observação do rei sol, com moradias e um grande espaço ao ar livre para as celebrações. Sua construção é bem mais apurada do que a de Machupichu. Seguimos subindo e descendo sempre por estradas impressionantes. A gente se dá conta dá grandeza das montanhas e da dificuldade de se construir uma estrada assim quando se está em cima da montanha e pode-se olhar o caminho já percorrido láááá embaixo. Entre uma foto e outra, a “farofagem” dentro do auto correu solta. O tempo todo se passa comendo, principalmente quando não há onde parar.


Chegamos a Cuenca, a Pérola do Equador, lá pelas 4 horas da tarde. Procuramos hotel, nos instalamos e saímos a passear pela cidade e conhecer um pouco o produto que mais a torna famosa: o chapéu Panamá. Como o nosso tempo aqui vai ser curto (devido a cortes no roteiro como já comentei antes), tratamos de ir no mesmo dia a um museu do chapéu e à uma fábrica, creio a mais famosa (Homero Ortega), que aparece nas cabeça de celebridades e artistas. O chapéu Panamá é feito a partir da trama de uma fibra vegetal chamada palha Toquilla. Depois de todo um processo de fervura e secagem, ele é tecido por habilidosas mãos de campesinos. Os mais caros, finos e delicados têm a textura de um tecido e podem levar até 10 meses para serem produzidos. São tramados à noite, quando os dedos estão mais aquecidos e consequentemente ágeis. Depois, na fábrica, são moldados em máquinas com vapor e acabados em elegantes detalhes... Os femininos são enfeitados com flores, fitas e cores. São exportados para todo o mundo. No Brasil uma empresa os importava para proteger a cabeça dos funcionários (em Minas, acho...). O processo de produção é muito interessante e os preços variam de 10 a 600 dólares. À noite, passeamos, jantamos e lamentamos não poder ficar mais nesta cidade que não merece ser vista tão rapidamente, mas sim com pelo menos uns três dias a mais na agenda. Havíam nos falado que Cuenca valia muito a pena, e realmente, é uma cidade lindíssima, ajardinada, limpa, cosmopolita e banhada por quatro rios bem limpinhos. Merece uma segunda visita, um dia desses...

:D

28.2.10

Equador 4

Bom, então fomos a Otavalo, mais ao norte do país. É uma cidade pertencente aos índios Otavalos. O município todo possui em torno de 90.000 habitantes, quase todos índios (93% quechuas/7% de mestiços). Na cidade estão 30.000 pessoas, falam o idioma quechua e se vestem com a roupa tradicional do seu povo. As mulheres usam saia preta e blusa branca. A variação fica por conta das cores dos bordados e faixas de cintura mas todas praticamente iguais e os homens usam o cabelo comprido em rabo de cavalo ou trança, calça branca e uma espécie de alpargatas nos pés. Mas nem todos os jovens estão aderindo a tradição, e segundo eles, uma das causas é o fato da nova geração viajar muito. A cidade é muito parecida com as nossas, moderna, bonita e bem organizada, até ciclofaixa existe demarcada na rua. São muito trabalhadores e realmente são donos da cidade, dos empreendimentos e dirigem carrões. Diz a história que os Otavalos já viviam aqui há 13000 anos ac, então lá por 1500 foram dominados pelos Incas. Depois disso ainda sofreram a invasão espanhola e a catequização. Mantiveram a tradição e trabalham para comprar de volta as terras que lhes foram usurpadas no passado. E parece que estão conseguindo. Estamos no Hotel El Indio Inn, pertencente a Otavalos. Todo o atendimento é feito por eles, naturalmente vestidos com as roupas tradicionais. Mas Otavalo entra no roteiro de qualquer viajante porque abriga aos sábados a maior feira de artesanatos de toda América Latina. É famosa pela qualidade dos tecidos e bordados feitos por eles. Iríamos ficar lá apenas duas noites, mas em função da quantidade de atrativos nos arredores e para descansar um pouco, resolvemos ficar mais um dia. Próximo a Otavalo tem muitas atrações naturais: visitamos as lagoas Mojanda (3720 m) e Karicocha de origem vulcânica e glacial, respectivamente; a cidadezinha de Cotacachi, no pé do vulcão do mesmo nome (4944); a laguna Cuicocha, dentro da cratera de um vulcão extinto (que inclusive possui ilhas). Além disso passeamos por alguns povoados indígenas (Peguche, Iluman, Agato). São essencialmente agricultores de subsistência e artesãos, porém muito pobres. Alguns povos se encontram nas mesmas condições de miséria que os nossos índios no Brasil, a diferença é que não os encontramos nas margens das rodovias. Existe muita mendicância na rua, mas por idosos. Idosos e cães (abandonados ou não) nas ruas. É difícil ignorá-los, a ambos. Os velhos pedem moedas e os cães comida. É a nossa América Latina...


Vimos na televisão do hotel um discurso do presidente da república, Rafael Correa, um homem jovem e com um um discurso bem socialista e inflamado. Parece que fala ao povo todos os sábados, mas não na televisão. Na rua em palanque. Falou coisas que lembravam o governo Lula, principalmente no inicio. Estão comemorando os três anos de governo, “La Revolución Ciudadana” e conversando com uns e outros, dizem que é melhor que os anteriores, porém ainda falta muito. Com todos os que conversamos (índios, trabalhadores do hotel e empresários) não crêem no que diz e inclusive temem que se torne um “Hugo Chaves” do Equador. Era o ministro da economia antes e bate na tecla saúde, habitação, educação, e em outras ações já conhecidas nossas, como algo parecido com “bolsa família” e melhorias na educação através de avaliações (de alunos e professores). De um modo geral os preços, pricipalmente das comidas, são parecidos com os do Brasil. Em locais turísticos tendem a ser mais caros. A gasolina é mais barata : U$ 1,50 o galão da gasolina comum e U$ 2,00 o galão da super (um galão=4 litros). Os produtos industrializados são um pouco mais baratos, mas eles não valorizam as "miudezas". Para tudo o valor mínimo é um dólar. É só uma moedinha, mas são quase dois pila. O salário mínimo são U$ 240. Até a pouco tempo atrás eram U$ 80. O pedágio custa só U$ 1, ás vezes U$ 0.60.

O sábado foi reservado para a maior atração de Otavalo, a feira artesanal. Já cedo começa a movimentação dos artesãos, todos índios, que vêm dos “pueblos” próximos. Entre eles falam o Quéchua. É muito bonito, as coisas são baratas (só que não dá para levar tudo!). A tecelagem daqui é de excelente qualidade e têm peças bem originais. Mas quase todos vendem as mesmas coisas. Se você for alto e tiver a pele clara pode pechinchar sem dó, porque os vendedores pedem preços pelo menos duas vezes mais alto do q o normal. Eu comprei uma camisa por dez dólares. Queriam 22. Bacana também é a feira de comidas feitas na rua. Vendem de tudo: desde um simples milho na brasa até um porco inteiro assado ali mesmo. Tem também outros quitutes como batatas com sangue e uma infinidade de pratos feitos com carnes bem suspeitas, já que todas elas ficam expostas o dia todo na praça (claro que sem refrigeração), e a limpeza do frango (todo aquele processo entre a fase de "matar" e a de "comer") é feita ali mesmo. O povo daqui vive tudo isso com intensidade, é uma grande festa de cores e também de cheiros. Foi interessantíssimo e cansativo.

(diferença de tamanho)

Um prato bem tradicional aqui (e no Peru também) é o “cuy”, que nada mais é do que o nosso porquinho da índia. Tem em quase todos os restaurantes. Para se ter uma idéia do quão tradicional é entre os indígenas: na famosa Santa Ceia pintada por Rubens na Catedral de São Francisco em Lima, Jesus e os apóstolos comem o cuy. Assim ficava mais fácil convencer os indígenas, já que Jesus comia o mesmo que eles. Eu até queria experimentar, mas como o padrão de qualidade se manteve coberto de poeira, melhor não. Os dias tem sido bem cheios e divertidos, e são coroados com ótimas noites de sono. Próxima parada: Baños

Até!

:D

26.2.10

Equador 3

No outro dia, lá pelas nove da manhã, o funcionário da locadora nos trouxe o carro: uma Tucson, prateada, bem novinha (uns 9000 Km). A primeira coisa que nos chamou a atenção foi de que o veículo não tinha placa alguma. Como vamos circular pelo país assim? A resposta foi de que não haveria problema algum pois não haviam mais placas disponíveis, então um papel colocado no vidro com os dados do carro seriam o suficiente. Estranho. Foi aí que começamos a reparar nos inúmeros carros na mesma situação e por muito tempo. Foi aí q começou a segunda (e principal) fase da viagem, a qual todos esperávamos ansiosos. Viva a estrada! Nossa estreia com o carro foi até a “Mitad del Mundo”, o famoso monumento q marca a linha do Equador. É um parque, com muitos japoneses e suas Nikon, nada demais, além da linha. No parque existem vários museus e coisas assim. Um legal é o da missão geodésica francesa (q definiu onde era a linha). Há também uns lugares pra comprar artesanatos ou comer. Depois das tradicionais fotos fomos para o Museu Inti Ñan, q o Lonely indicou de monte, mas q nem é tãããão legal assim. Fica ao lado do Mitad del Mundo, e dizem q é por ali q passa a linha do equador real (a garantia é "medido por GPS militar"). Está localizado a 240 metros da linha "original", e dentro do complexo (que não é nada complexo) há um tour a se fazer, com demonstrações da cultura local, do poder do sol e de mitos, como a agua entrando no ralo no sul, no norte e em cima da linha, e mais algumas bobagenzinhas.

Depois de rodarmos por quase uma hora, tentando sair de Quito ( tivemos de passar novamente por lá) em direção às Termas de Papallacta, conseguimos!! Como o nosso trânsito no Brasil é tranquilo e organizado! Para começar não há indicação de coisa alguma e os mapas são muito superficiais. Detalhe, nosso mapa veio do Instituto Geográfico Militar do Equador. Tampouco as pessoas sabem indicar o caminho. Até que as condições do asfalto são boas, mas as estradas não tem acostamento, nem faixas no chão, então não se pode parar. Outra coisa que nos chamou a atenção foi a quantidade de poluição gerada pelos carros e principalmente pelos caminhões. No Brasil, metade não circularia. Ficamos sabendo que em Quito vão fazer rodízio de placas para circulação na cidade. Em contrapartida vê-se muito campanhas em placas, outdoors e tv para o cuidado com o meio ambiente, água e também incentivando para o consumo de alimentos orgânicos, tudo feito pelo governo. Bem mais fácil fazer outdoors, não?


Nos organizamos no carro (que é bem confortável, mas não é nenhuma Dobló), compramos CDs de música Ecuatoriana e tomamos o chimarrão que levamos junto. Então seguimos em direção ao Oriente: Termas de Papallacta se localiza a 3300 m de altitude e é um vilarejo apenas. Mas tanto o caminho até lá como a estada nas termas só valem a pena. Subimos a cordilheira numa paisagem até então desconhecida: cordilheira, vulcões e mata. Sim, muita mata porque nos dirigíamos para a Amazonia Ecuatoriana. Esta mistura é belíssima. Rendeu inúmeras fotos. Mal sabíamos nós que esta beleza toda estava apenas começando. Apesar de Papallacta ser bem minúsculo e de estar encravado entre as verdes montanhas, eventualmente visualiza-se pontos de vapor saindo de algum morro ali por perto. As águas que ali brotam (os pássaros q aqui gorjeiam, lembrei agora) são aquecidas pelo vulcão Antisana que fica próximo. Nem sempre consegue-se vêlo, geralmente está encoberto de névoa. Fica-se na torcida. Ficamos num hotelzinho de acomodações bem espartanas, com o mesmo nome do vulcão.O engraçado era que o o hotel até tinha televisão, mas não tinha canais, a dona mesmo disse que não servia para nada. Foi risada geral. Dormimos como pedras numa noite pra lá de fria. Mas a atração mesmo é tomar banho no complexo termal. É super organizado e bonito, sem contar que é uma delícia (pertence a uma iniciativa privada que possui também um resort). As águas chegam ali a mais de 60 graus, têm de ser resfriadas. Foi uma curtição e uma sensação sem igual estar ali naquele lugar tão exótico. Estavam lá um grupo de alemães maravilhados também. Dica: chegamos tarde no vilarejo, jantamos no resort e fomos dormir. No outro dia levantamos na hora q as termas abriam (frio!) e aproveitamos a paisagem com movimento zero!


O que mais vale quando viaja-se por conta é o número de contatos com pessoas diferentes que fazemos. Até por necessidade: pergunta-se muito, cata-se informações e opiniões com uns e outros . Gostam de brasileiros e principalmente do Lula (muito bem visto no Equador e no Peru também, apesar de tudo.). Almoçamos e antes de seguirmos para o nosso próximo destino, Otavalo, resolvemos adentrar um pouco mais na Amazonia que é espetacular. O que surpreende aqui no Ecuador é que num raio de 100 Km muda-se radicalmente de paisagem, altitude e temperatura. Neste dia chegamos alcançar os 4000 metros de altitude, sentimos muito frio, mas foi a festa podermos avistar cervos (aqueles com os galhos na cabeça). Seguimos numa viagem bem agradável pelas montanhas (já estamos pegando o jeito), até que lá pelas tantas uma visão bem inusitada: uma família de ciclistas que pareciam vir de longe. Era um casal com dois meninos, gêmeos de 12 anos. Três bicicletas (uma tandem) subindo a cordilheira lá pelos 3900 m de altitude num esforço tremendo. Tivemos de pará-los, fotografá-los e descobrir que eram americanos e estavam vindo do Alasca e pretendiam chegar em Ushuaia daqui a um ano. Já estão na estrada há 19 meses. Embasbacamos! (vejam aqui)

Bom, era isso. Até a próxima!

:D

13.2.10

Equador 2

Quito
Dormimos tarde e acordamos automaticamente cedo em função do fuso horário. Lá pelas tantas essas horas acabam fazendo muita falta. Somado a isso tem a questào da altitude. A cidade de Quito localiza-se 2850 metros de altitude, em um vale bem comprido com mais ou menos 2 milhões de habitantes. Divide-se em "centro velho" (que é velho mesmo) e o centro novo (moderno e comercial como toda grande cidade da América Espanhola). Estamos no Hotel São Francisco de Quito, que localiza-se na cidade velha, o qual já é uma atração. É uma construção do início do século XVIII, toda em estilo colonial espanhol, com pátio interno e chafariz de pedra e tudo... Nosso quarto é de dois andares com uma escada espiral toda em ferro fundido e madeira unindo um andar e outro. O refeitório funciona no andar inferior (como um porão) com arcos de pedra e tijolo à vista e pé direito muito baixo. Não é sofisticado, é rústico mas tudo tem historia, (que remonta a 1702, conforme a escritura do prédio) é bonito e pitoresco! Bem logo pela manhã saímos para caminhar pelas estreitas e charmosíssimas ruas. As praças ficam tomadas pela população, famílias passeiam e as igrejas lotam. Na rua nos surpreendeu a quantidade de ciclistas (de todas as idades) e quase todos de capacete . Praticam aqui o downhill, porque Quito é rodeada de montanhas. Nunca vimos tantos prédios antigo juntos, tão bem preservados, tanta história, tradição e tantas igrejas (são em torno de 40). Para quem gosta de arquitetura e antiguidade esta cidade é um prato cheio! Quito foi tombada como patrimônio histórico da humanidade em 1978 e é considerado o centro urbano latino americano que menos sofreu degradação na sua arquitetura o que lhe confere muita originalidade. É lindíssima e passear por suas vielas é uma festa para os sentidos. A população colorida , mesclam índios, espanhóis: os vendedores de rua (comem e vendem comida em qualquer lugar mesmo: portas, ônibus, rua...); os cheiros exóticos, gostam de perfumar os ambientes com incensos ou perfume mesmo; os sabores dos temperos e comidas típicas, alguns bons, outros nem tanto. Mas o que é melhor é a quantidade e a variedade de frutas exóticas para nós (taxo, guanábana, babaco, tomate de árvore.... ). Vendem-se sucos em todos lugares, e são todos muito bons e baratos. A banana existe em vários modelos (verde, amarela, largas...) e entram nos pratos salgados e sobremesas (todos bons). Sem falar na diversidade de sorvetes de frutas. Comemos sempre muito bem, mas em lugares geralmente recomendados pelo nosso Lonely Planet (ótimas sugestões), porque tem uns lugares q nem as baratas entram, de tão nojentos. Antes de pedir o prato tem-se de especificar com o garçom de como é o prato, do que é feito para não termos surpresas (como já aconteceu). O povo é dócil, os policiais urbanos gentis. Inclusive fomos caminhando (caminhamos muito) até o mercado público, o qual gostaríamos de conhecer e dois policiais nos abordaram e disseram que não era recomendado andar por lá, por perigo de assalto. Acreditamos e voltamos na mesma hora, não é bom arriscar, principalmente quando se está fora de casa.
Para se ter ideia, os espanhois chegaram aqui em 1532 e Quito foi fundada em 1534. Também neste ano iniciou-se a construção do Convento de São Francisco, um dos maiores do mundo. Dizem que quando Pizarro e o seu exército tomaram a cidade dos Incas, os índios para não entregá-la assim, atearam fogo. Observando a história do Peru e do Equador, percebe-se que foram profundamente marcados pela catequização católica, que varreu da cultura indígena muitas tradições. A história só se repete.... Voltando ao convento de São Francisco, é impressionante sua construção pela grandiosidade artística e estado de preservação. São centenas de obras de arte entre pinturas, esculturas. Tudo extremamente enfeitado e "carregado"(barroco), com muito ouro. Como era domingo assistimos a um pedaço de uma missa. O discurso é um pouco (muito) mais agressivo do que aos que estamos acostumados. O padre estava, naquele dia, falando q o maior presente q um pai pode dar para um filho é o batizado. Ainda bem q ninguém sabia q eu sou agnóstico. Vimos que a catequese continua e o povo é muito católico. Apesar do surgimento de outras "novas religiões" (q o padre condenou veementemente), a população não troca sua fé, se mantendo fiel ao catolicismo. Nos mesmos moldes seguem outras igrejas e museus... Destaque para a "Iglesia de la Compañia", a mais rica e cheia de ouro e detalhes. Depois desta "overdose"de arte sacra, decidimos que já bastava de visitá-las. Todos os prédios da cidade tem mais ou menos a mesma "faixa etária" e é muito agradável passear por ela. O que é complicado aqui são os endereços. Inicialmente eles eram iguais aos nossos com o nome da rua + o número da casa. Então alguém com o intuito de "facilitar"resolveu mudar o sistema, criando um que envolve o nome da rua, os pontos cardeais e alguns números. Não deu certo, mas foi implantado mesmo assim. Ou seja, tem dois sistemas diferentes! Nem vou explicar como é porque é bastante confuso e por conta disso caminha-se muito, às vezes procurando um lugar que está bem próximo.
Fizemos também outro passeio bacana, que todos gostaram e cansaram. Há um teleférico que sobe a 4100 metros de altura até a base do vulcão Pichincha e nos dá uma excelente vista panorâmica de toda a cidade. Alguns downhillers sobem com a bicicleta de teleférico e descem voando baixo. Aí sente-se muito a altitude e o frio. Mas vale a pena. Com mais umas duas horas se pode escalar o vulcão até o topo, mas não acho q seja possível para amadores. No outro dia, o Fred e a mãe ficaram no hotel, cuidando do "soroche" do Fred, enquanto q eu e o pai fomos até os arredores do aeroporto para alugar um carro. E a noite foi complicada, monitorando a temperatura do Fred e a minha dor de cabeça, q apareceu e não me deixou dormir. Dizem q o chá de coca ajuda contra o soroche, mas sei não. Prefiro calma e paciencia, e se a coisa apertar, um Paracetamol.

Temperatura muitíssimo agradável. Chega a fazer 8 graus e à tarde não tem passado de 20. O tempo está nublado e ás vezes abre sol, mas às vezes também dá uma chuviscada. Acho que isto também contribui para o nosso mal estar. Descobrimos que lá as estações são ao contrário daqui, como no hemisfério norte, e, devido a 8 meses de seca, cortavam a luz o tempo todo, para racionamento de água.

Fomos para a cidade nova e em uma famosa feira de artesanato, a del Mariscal, que reúne tribos de todo o país. Enfim nos despedimos de Quito com uma excelente impressão. No outro dia pela manhã a locadora do carro nos trouxe ele até aqui no hotel (não sem o típico atraso equatoriano) e iniciamos uma nova fase não tão urbana da nossa viagem. Outra coisa: este destino não parece muito comum aos brasileiros. São poucos lá. Encontramos um casal de professores universitários e um pai e filho que escalam vulcões, todos de SP. A grande maioria dos turistas são europeus e alguns poucos norte americanos. Até a próxima!

:D

10.2.10

Equador 1

Ok, depois de quase um mês (ou mais? Não sei ao certo.), resolvi deixar a preguiça de lado e começar a escrever alguma coisa, só para acalmar a multidão q entra diariamente no blog em busca de entretenimento e alguma coisa boa para ler (sonho). Bom, deixando de bobagem, vamos embarcar!

(procurem por "chicha morada" em restaurantes. muito bom. e tome inca kola!)
Lima

Sim, o título dos posts é Equador. Mas na real a primeira parte da viagem foi para Lima, no Peru. Já explico. Não existiam voos diretos SP - Quito, só Sampa - Lima - Quito. Então ficamos dois dias e meio em Lima para conhecer a cidade e depois seguimos rumo ao norte. O primeiro dia foi sem grandes novidades, apenas os transportes: Venus - PoA; PoA - SP (pela GOL, com muito atraso por causa de chuva e coisas assim. Ficamos uma noite em São Paulo pra descansar, já q o intervalo entre os voos era grande e não deve ser muito restauradora uma noite de sono em bancos de aeroporto.). Então mais umas horas esperando o "transfer" até o outro aeroporto (aham!) e uma correriazinha pra pegar a van q vai até o hotel. Por segundos q não ficamos sem van. Mas nada como uma noite restabelecedora e um bom café da manhã americano (leia-se colesterol com frutas) para prosseguirmos animados. Como tudo era novidade (nunca estivemos em SP, por exemplo), o passeio seguiu interessante. Embarcamos as 9:25 da manhã no avião da LAN (ótimo serviço) e seguimos as cinco horas restantes até Lima. O voo é muito bonito, e dá pra ver a diferença quando aparecem os Andes e observar o lago Titicaca (enorme), mas um pouco entediante, principalmente depois q a tv de bordo começa a repetir um episódio de Friends velho.
Pousamos em Lima com tranquilidade e lá estava no aeroporto o motorista do hotel com uma plaquinha na mão (Mr. Cantú) nos esperando. O hotel é em Miraflores, um bairro um pouco mais "de classe alta", pertinho da praia. O Hostal The Place é simples, antigo, mas limpo, o mais importante (preços no site). De tarde apesar de cansados (fuso de 2 horas menos q no Brasil, 3 no horário de verão, jet lag), fomos passear pelo bairro. No outro dia amanheceu chovendo, aliás choveu a noite toda numa intensidade que nós classificaríamos não mais do que uma garoa (mas constante). Como havíamos planejado fazer um city tour e não tínhamos guarda-chuvas (apenas capas), perguntamos no hotel onde poderíamos comprá-los e para nossa surpresa a resposta foi a seguinte "a cá no hay paráguas para se comprar", porque nunca chove. E para surpresa maior ainda estavam todos apavorados pela quantidade assustadora de chuvas, os telejornais falavam até em dilúvio...Aí é que fomos reparar o quanto não estão preparados para as chuvas: as ruas não tem bueiros por exemplo. Em outras regiões do Peru existe chuva com "gota gorda" (como chamam a chuva grossa) como as nossas. Imaginem como reagiriam a uma das nossas precipitaçõezinhas. Cada um sabe quando se assustar, deixa assim. Mas apesar de tudo, lá pelas tantas a chuva parou e o nosso passeio por Lima foi bem legal, fazendo com que pudéssemos inclusive usar o andar panorâmico do ônibus. Existe aqui um serviço de turismo o "Mirabus" que fazem roteiros urbanos com guias que falam inglês e espanhol. Ajuda bastante para se ter uma noção da cidade, mas é um pouco rápido ( dura cerca de três horas). Existe a opção de sair de manhã, chegar até o centro de Lima, descer na catedral e pegar de novo o ônibus da tarde, daí sem assentos numerados. Chegamos de volta lá pelas seis. Foi bom porque cada um pode fazer o que era de interesse: eu e a mãe fomos nas livrarias, artesanatos e lojas de música e o Fred e o pai foram buscar selos e cédulas e outros "colecionáveis".

Lima é uma cidade muito bonita, limpa, bem cuidada. Se orgulham do número e a beleza dos parques que estão sempre cheios de gente. Em toda a cidade estão presentes as vacas decoradas, muito divertidas, em tamanho natural receberam a "decoração"de artistas locais. Fazem parte da Cow Parade, um movimento artístico internacional que existem nas grandes cidades do mundo. Percebe-se o empenho dos governos nos restauros e manutenção dos prédios histórico, que no centro são a maioria. Em 1740 um terremoto fez muita destruição e muito se perdeu. Datados dos século XVI, XVII e XVIII, reúnem estilos colonial espanhol com balcões em madeira, neoclássicos inglês, barroco e renascentista. A fé católica se apresenta imponente nas igrejas, ganhando destaque o convento de São Francisco, que impressionam pelas pinturas, azulejos todos do século XVII ainda originais. Mas a atração do convento são as catacumbas com o ossário de pelo menos 25000 pessoas mortas nos terremotos que já por tradição acontecem a mais ou menos de 30 em 30 anos. O último foi em 197o e poucos. Quase na hora. No mais Lima é uma cidade com 10.000.0000 de habitantes (o Peru tem mais ou menos 30.000.000), com uma população muito pobre ou muito rica, quase não tem classe média. Um problema muito sério, ou melhor seríssimo é o êxodo rural, comum aqui na América do Sul. A economia está baseada na agricultura, mineração e turismo, muito turismo. Daí decorrem coisas como mão de obra muito barata, subemprego, os carros e ônibus caindo aos pedaços e o trânsito bem louco: só não vale dedo no olho, e da-lhe buzina! Mas o turista é hiper bem tratado, e existe até polícia turística (não sei se existe em outros lugares, mas para mim é novidade).
No último dia em Lima, fomos de manhã para a Calle Petit Thours, que é lotada de galerias com artesanato de todo o Peru. Tem de tudo! E a gente chega a cansar de olhar as tendas coloridíssimas com coisas muito baratas (mas não tem como levar tanto). Lá pelas duas horas resolvemos almoçar em um restaurante típico Peruano (cebiche e comida criolla). Era um buffet variadíssimo com frutos do mar e peixes (come-se muito peixe em Lima) preparados das mais diversas formas e com temperos exóticos e "calientes". Além disso as carnes cozidas, o milho e as batatas estão sempre no cardápio. Nos despedimos de Lima voltando para o hotel a pé pela beira do mar escarpado, avistando-o lá embaixo e ouvindo o peculiar ruído das pedras que vão e que vem com as ondas, pois aqui não tem areia no litoral e para se chegar à praia temos que descer por escadarias que existem nos "malecones" (calçadão q costei o mar). Estes "malecones" são agradabilíssimos, ajardinados, com obras de arte, com caminhódromos e ciclovias; para as crianças, praças com brinquedos interessantes e até para o passeio dos cães tem local específico. Muitos correm, surfam e andam de paraglider, com suas velas coloridas tomando conta do céu. No hotel, juntamos as tralhas (que já começaram a aumentar e não caber nas malas) e mais uma vez "chá de aeroporto". Embarcamos, porém não sem alguns contratempos. Houve overbooking no voo, e no fim das contas pudemos embarcar, porém não juntos (dica: façam o check-in virtual, acelera muito o processo todo, mas lembre-se de re-confirmar seus assentos antes do voo, senão dá no mesmo q nada). O voo foi tranquilo e às 22:23 estávamos em QUITO. Assunto para outro post.

:D

27.1.10

Equador

Ok, depois de tres semanas, dois países, seis aviões, umas vinte horas de voo, comidas exóticas, males da altitude, praias exuberantes, selva, vulcões e otras cositas más, chegamos.

Para quem chegou agora: eu e minha família estivemos viajando pelo Equador, belíssimo e raro país q infelizmente é pouquíssimo divulgado aqui. Como no momento estou "meio"cansado (mais de trinta horas sem dormir direito + stress da viagem, malas extraviadas e preguiça), não vou escrever muito. Só digo q agora, pelas próximas semanas começarei uma espécie de relato do Equador, com informações úteis e q nos teriam ajudado muito se tivéssemos encontrado em algum outro lugar antes...

Bem, algumas linhas gerais dessa viagem:

-tres semanas
-alugamos um carro e circulamos quase todo o país (faltou tempo)
-não fomos a Galápagos (questões financeiras e temporais)
-fizemos dois passeios de bike (o Caminho da Cascatas, q não é tãããão imperdível assim, na minha opinião, e um downhill no Chimborazo, maior pico do país, realmente muito legal e comcerteza imperdível)

Ok...

Até a próxima...

:D

15.1.10

Family on Bikes




Ontem encontramos esses caras das fotos por acaso no meio do Equador. Paramos e puxamos conversa: De onde são, de onde vêm, para onde vão? Nos disseram que eram dos Estados Unidos, vinham do Alasca e vão até Ushuaia!! Eles são a família Vogel (pai, mãe e dois filhos gêmeos) viajando a 19 meses pela rodovia Panamericana para tentar quebrar o recorde mundial de "pessoa mais jovem a completar a Panamericana". Os dois filhos tem 12 anos de idade, mas terão 13 ao chegar em Ushuaia (daqui há um ano, segundo as estimativas). Estão usando duas bikes de cicloturismo, uma tandem e dois reboques. Para quem quiser mais informações, olhem o site deles, e para acompanhá-los leiam seu blog.

Um do aspectos curiosos da viagem é que os filhos devem continuar os estudos na estrada, afinal, estão em idade escolar e vao ficar 2 anos e meio na estrada. Até onde observei me parecem perfeitamente capazes de quebrar o recorde.

Go Vogels!

:D
Posted by Picasa

13.10.09

Feriado 12/10 - Sandboarding @ Garopaba

Acho q já sei o q fazer com a fórmica do protótipo do banco da sarna:
(vento)

Resolvi tentar o sandboard nas dunas de Siriú. É difícil, e com o vento era pior ainda, mas diversão garantida...

As pranchas são feitas de compensado, com as pontas levemente curvadas e uma lâmina de fórmica embaixo (para deslizar...). E existe também uma versão para andar sentado, para os menos radicais :p ...


Veremos...

:D

12.10.09

Feriado 12/10 - Kaiak em Garopaba

Depois da trilha, eu, o pai, o Fred, o Alexandre (guitarrista da Hi`Five, minha banda) e o José Luís (vulgo Lisi, irmão do Xande e colega do Fred) resolvemos alugar caiaques para dar uma volta, num fim de tarde frio e com vento...

(a partir da esq.: Fred, Lisi, Xande, Cantú e eu.)

Foram cinco barcos, quatro de fibra de vidro e um de um tipo de plástico (polietileno), mais forte. Partimos em direção à praínha de Garopaba, contra o vento (e ondas) e depois voltamos, à favor do vento (e das ondas), com o dobro da velocidade, eu acho. Para avançar em meio as ondas temos q "encará-las" de frente, senão elas nos derrubam (na água fria, no caso). É interessante como os caiaques são manobráveis, pois não tem nenhum ponto fixo no chão (como rodas, por exemplo), e depois q eu bati várias vezes contra os outros aprendi a frear (é só colocar o remo na água q ele para na hora!).

Chegando no hotel já procurei no google: "homemade kaiak"...


P.S.: Feliz dia das crianças a todos!

:D

11.10.09

Feriado 12/10 - Trilha em Garopaba

Para aproveitar o feriadão, praia!Para quem for a Garopaba - SC - fica uma dica de trilha muito legal pelo Costão de Garopaba (8,6 km).

A trilha sai em direção ao leste, passando por aquele bairro chique cheio de mansões, e depois de uma meio mediterrânea a rua acaba e seguimos por uma trilhazinha até o mato no morro. Lá existe uma trilha q corta o morro no meio (quase nos perdemos). Quando acaba o mato descemos novamente até as pedras e seguimos por elas até onde não der mais(porque entre o mato e a praia da Silveira é uma propriedade privada, e o segurança não deixou entrar).

Depois é só seguir pela praia da Silveira até Garopaba pela estrada, conforme o mapa abiaxo (a trilha é em sentido horário e começa pelo ponto vermelho...):

(clique na imagem para ve-la melhor...)
:D