28.4.10

Relato: Audax do Vale 25/04/10

"Ei, acordem..." diz meu pai, pelas 4 e meia da manhã de domingo. E ninguém ficou na cama se enrolando, como quando o destino é a escola. Pouco depois das cinco horas já estávamos (eu, o Fred, o Tiago, meu pai e minha mãe) dentro dos carros, devidamente carregados, indo buscar o Francisco e seus pais. E quase as seis chegamos no Unicshopping, em Lajeado, onde aquela costumeira fauna já se aglomerava, com seu faróis piscando. Montamos tudo, entregamos termos de compromisso, assinamos alguma coisa numa fila (?) e pronto. Equipe Chinelo e Meia pronta pra prova, a primeira dos três guris da direita, na foto abaixo.


E assim, 6:10, foi dada a largada. Cento e vinte e poucos pares de pernas começam a girar, indo em direção a BR 386, tomando conta da estrada. Um espetáculo! Temperatura super agradável, céu nublado, todos se sentindo bem e previsão do tempo meio duvidosa. Claro q ninguém pensou em chuva ali, no meio daquele monte de gente. Ainda acho q a largada só não é mais legal do q a chegada (e ainda fico em dúvida sobre a chegada ser melhor do q a largada. empate?). O primeiro trecho do trajeto foi tranquilo, meio q procurando um ritmo agradável para todo mundo, meio q procurando a possibilidade de se encaixar em algum grupo maior. Andamos algum tempo em um "pelotão", com umas 12 pessoas, mas a maior parte do tempo sozinhos, mantendo uns 22 km/h, mais ou menos. Chegamos no primeiro PC em 2 horas e alguns minutos, fizemos a parte burocrática (a do carimbo), comemos algo (duas bananas e uma barra de cereal, no meu caso), pessoal foi no banheiro (enquanto eu lubrificava um pouco a bike, depois de meses sem óleo...) e caímos na estrada novamente.

O trecho até o pc de Venâncio foi tranquilo, com médias de 26 km/h na primeira metade, pouquíssimo movimento na estrada e caminho conhecido, o que torna o passeio um tanto mais fácil. Só pra registrar, em uma daquelas subidas com terceira pista eu vi uma Slyway me ultrapassando. Bem diferente do q na internet. Com roda dianteira 700c já é baixa, imagina a Sarna, com sua rodinha de 20". Bem, continuando: segunda-feira uns quantos conhecidos disseram q nos viram na estrada domingo de manhã. Alguns acharam q estavam ocorrendo dois eventos, pois viram mais uns ciclistas de tarde, "lá depois de Lajeado". Até explicar q era uma coisa só, de 200km, q não tem premiação em dinheiro, ihhhh....


Chegamos no PC 100km um pouco antes das 10h e 15min, onde as famílias de todos esperavam com abraços, sanduíches, máquinas fotográficas, frutas, chimarrão e tudo mais. ficamos ali uma meia hora, mais ou menos. E nos disseram q ia sair sol. Nos entupimos de protetor fps 50. E não saiu sol. Mais adiante retomo o assunto. Continuando, como é interessante pedalar em lugares conhecidos. Apesar do trecho Venâncio-Lajeado ser um dos mais chatinhos da prova, o costume nos levou adiante sem maiores impressões. Deve ter sido a enésima vez q pedalei esse trecho. Porém, mais ou menos antes do pedágio, notamos uma certa desanimação (essa palavra existe?) no Tiago. Ele ficava meio quieto, mais na frente do resto do pessoal, e ficava para trás, quieto, na subida. Algo errado. Continuamos, de olho nele, tentando incentivar e tal. Apesar disso tudo, nossa velocidade não baixou muito, e continuamos com uma boa média de uns 20 e pouquinhos km/h. Então, pelas 14h, logo depois de Arroio do Meio, veio a chuva (lembrem-se do protetor 50...), com força! Aquele monte de água gelada entrando em qualquer fresta da roupa (incluindo capa de chuva) simplesmente lavou qualquer dor q eu sentia, e me fez pedalar mais rápido para procurar abrigo (que estava a uns 20 km dali...). Logo antes do pedágio de Roca Sales fomos ultrapassados por nossos pais, de câmeras em punho. Mais uma "sessão de fotos" na estrada.

Acho q eu nunca tinha pedalado com uma chuva dessas, e vi q meu óculos é uma porcaria, e q eu preciso de paralamas. Com óculos podia manter os olhos abertos, mas sem ver nada graças à "fumaça" e à sujeira da lente. Sem óculos toda a água (e sabe lá mais o que) vinha direto nos meus olhos (conforme já tinha me contado o Bagatini, explicando as adaptações do paralama dianteiro dele). Sem contar o frio. Mas tudo bem, melhor q calor. Paramos no pedágio de Roca Sales para ir ao banheiro e comer balas (é de grátis em pedágios, pessoal! E a partir daí deu para notar uma sensível melhora no Tiago. O q seria da humanidade sem banheiros e açúcar?), calculando quanto tempo levaríamos para chegar ao PC 3. A previsão, naquele estado, era chegar pelas duas e meia da tarde, e a meta era chegar antes das três (nos baseando no meu tempo do ano passado). Olhando as fotos dá pra ver q já estávamos comendo as 14:33, então, missão cumprida.

No PC ficamos (fiquei, pelo menos) com muito frio, e o sanduíche e o suco oferecidos foram engolidos em segundos, com muito gosto, junto com batatinhas fritas, polentas com queijo, chocolate e a sempre presente Coca-Cola. Permanecemos ali uns 45 minutos, acho eu (memória fraca) e voltamos pra chuva, loucos para aproveitar a descidona do PC. E q descida boa! Sem pedalar não me esquentei, com o vento a camisa molhada grudava no meu peito, gelada! E meus dedos já estavam roxos, além da água q voava na cara, e dos freios q não funcionavam mais direito. Argh. E pra melhorar, chegando lá embaixo do morro, BUM! Não é q o Fred passou em cima dum negócio de ferro (bem afiado) q rasgou o pneu dele? Perfeito! Mais tempo parados esfriando! Ligamos pro papai lá no PC para ele ir comprando um pneu novo (mais câmara, pois era um 700 x 42, algo quase impossível de encontrar por aqui...) enquanto nosso "carregador" Fran subia o morro de novo para buscar as encomendas. Até consertar tudo perdemos uma meia hora. Mas tudo bem, todos inteiros e ainda com tempo de sobra para encarar o temido "monstro de terra". E lá fomos nós, recomeçar de novo.

A chuva já estava mais fraca, porém constante, e ficamos meio curiosos para saber como estava a estrada de chão, principalmente agora q o Fred estava com um pneu da metade da largura de costume, com o dobro de pressão. Quando chegamos na estrada de chão meio q nos separamos, quase que automaticamente. Eu e o Fran andávamos um pouco mais rápido e esperávamos os outros dois logo adiante, enquanto o Fred e o Tiago seguiam mais "cautelosamente". Assim, nos cruzamos várias vezes durante aqueles 10km, com a "equipe" fragmentada em duas. E nossas paradas nem foram especificamente para esperar os outros, mas para fazer ajustes devido a terra, "ir no banheiro", e, curiosamente, para ajudar um cara a consertar um pneu furado, lá pelos 178 km. Era o primeiro Audax dele, e quando disse "se eu soubesse q a estrada de chão iria ser assim nem vinha" me dei de como eu estava curtindo aquele trecho. A estrada estava boa, bem compactada, sem britas, a chuva seguia calminha, quase refrescante, e não tinha quase nenhum movimento, o q permitia uma certa liberdade de andar lado a lado, ou desviar de poças (quase açudes) sem preocupação com contra mão e burocracias do estilo. As subidas eram poucas e curtas, apesar da inclinação, e a paisagem de lá é ótima! Sinceramente, fiquei tentando descobrir o q levava a maioria da população pra frente da TV naquela hora, quando podiam estar todos pedalando! Só pode ser falta de informação...

E chegamos novamente ao asfalto (asfalto plano, sem buracos e sem graça), cheios de terra pelo corpo e pela bicicleta. Só pra resumir: meus freios não funcionavam quase nada, o traseiro inclusive começou a raspar com a parte metálica no aro, de gasto, meu câmbio dianteiro parou de funcionar, o traseiro funcionava, mas por conta própria, e o movimento central fazia um barulho muuito parecido com um sapo (com alguns traços de pedrinhas sendo moídas). A terra espalhada na cara logo foi lavada pela água q voava da roda do cara da frente, e assim fomos até o Shopping, animados com nossa disposição e tranquilos pela margem de tempo disponível para fazer tão pouca quilometragem. Logo antes de chegar à BR 386 começou a escurecer, e atravessamos o pórtico de chegada no escuro. Depois de 12h e 6min pedalando concentrado, quase me assustei quando vi a(s) família(s) toda(s) nos esperando, batendo palmas e gritando. "Bah, acabou..." pensei antes de começar a cair a ficha.


E foi isso. Uma boa prova: organização excelente (como sempre), equipe em boa forma e clima quase perfeito. Agora é só separar o q é bike e o q é terra, montar tudo, e pedal na estrada!

:D

P.S.: Caso não tenham visto o outro post, cliquem aqui para ver as fotos tiradas pela nossa camera.